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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os votos de Jefté e Ana (Conclusão de: Jefté sacrificou a sua filha?)


Um voto era uma promessa realizada em termos solenes em que uma pessoa se obrigava a realizar um ato ou abster-se de alguma coisa. Diferente dos dias atuais, era muito comum a realização de votos no mundo antigo e podia ser registrado em uma espécie de cartório. Em alguns casos, havia até multas de 20% sobre o valor da avaliação do objeto prometido, caso a pessoa quisesse fazer o resgate em forma de dinheiro.
Para Israel, após a determinação da Lei Mosaica, a Lei do Voto passou a ter dois principais objetivos:
1. Ensinar ao povo lições sobre o Resgate que só o D'us Único ('Echad) oferecia;
2. Glorificar e enaltecer as bençãos e vitórias que esse mesmo D'us concedia.
Votos precipitados de mulheres podiam ser anulados pelos pais ou maridos: Números 30.6.
Os votos de Jefté e Ana

Levíticos 27.2: "Esta é a lei quando uma pessoa expressa um voto para doar a D'us o valor estimado de uma pessoa."

Esse é o tipo de voto realizado por Jefté, exatamente igual ao realizado por Ana (ISamuel 1.11):

VOTO DE JEFTÉ: "E Jefté fez um voto ao Senhor: Se totalmente entregares os filhos de Amom nas minhas mãos, qualquer um que, saindo da porta da minha casa, me vier ao encontro, voltando eu vitorioso dos filhos de Amom, esse será do Senhor, e o oferecerei em holocausto." Juízes11.11.30-31

VOTO DE ANA: "Ela, com amargura de alma, orou ao Senhor, chorou muito, e fez um voto, dizendo: Ó Senhor dos exércitos, se benignamente atentares para a aflição da sua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha." ISamuel 1.10-11
A diferença é que Ana não mencionou o novilho que deveria entregar para o holocausto no cumprimento do seu voto, mas em I Samuel 1.24-25 cita o dia da entrega do menino:
"Havendo-o desmamado, tomou-o consigo, com um novilho de três anos, um efa de farinha e um odre de vinho, e o levou à casa do Senhor, em Siló....degolaram o novilho, e trouxeram o menino a Eli."

Obviamente, Jefté esperava uma multidão para recebê-lo na volta de sua vitória contra Amom. Talvez imaginasse um servo ou escravo, mas sabia muito bem do risco de ser a própria filha. A tristeza profunda dele foi provocada pelo desmantelamento das suas riquezas nesse voto.
O que acarretaria? Jefté não teve direito à herança junto aos seus pais porque era filho bastardo.Todos os seus bens vieram de suas administrações e vitórias como juiz de Israel. No primogênito se dá a promessa de herança e gerenciamento de todos os bens do pai. No caso de uma filha primogênita, esperava-se ela casar e ter um filho homem para receber o direito de primogenitura. Ao fazer esse voto, Jefté ofereceu em holocausto o que a moça valia: toda a sua herança!!!

Observamos aí, um princípio espiritual no ciclo de heranças na época de consolidação da nação israelita. Riquezas herdadas pelos pais, eram transmitidas aos filhos e passadas às próximas gerações. Como Jefté não havia herdado nada, os bens que acumulou também não serviram de herança para ninguém, voltaram para D'us.

Quanto à moça, tornou-se pobre e impossibilitada de casar. (Juízes11.40)

8 comentários:

  1. Pr Paulo Cezar Soutoquinta-feira, 05 janeiro, 2012

    Shalom Glaucia, muito bom seu comentário sobre o sacrifício de Jefté. Até então eu pensava que realmente ele havia sacrificado sua própria filha em holocausto. Sei que o Eterno não recebe sacrifícios humanos, mas como a passagem bíblia em nenhum momento diz que o Eterno aceitou o voto de Jefté, apenas se calou e deixou as coisas acontecerem. Como em Dt 23:2 diz "NENHUM BASTARDO ENTRARÁ NA ASSEMBLEIA DO SENHOR, NEM AINDA A SUA DÉCIMA GERAÇÃO PODERÁ ALI SER ADMITIDA". Diante desse texto, sendo Jefté um filho bastardo, eu achei que o voto que ele fez ao Eterno iria por fim a maldição de ter 10 gerações sem poder estar na Assembleia do Senhor. É como se o Eterno não respondesse ao voto de Jefté, mas na sua presciência, soubesse que ele ao cumprir seu próprio voto (Sem a intervenção ou aprovação do Eterno) iria estar pondo fim a essa maldição sacrificando sua primogênita e encerrando sua descendência.

    Não sei se me fiz entender. Por favor, aguardo sua postagem. Abraços

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  2. A ordem de Deuteronômio 23.2 permaneceu em Jefté, assim como aconteceu com o rei David que teve um filho com Bate Seba ainda casada. Esse menino assim foi considerada bastardo pelo adultério (II Samuel 11.5), não podendo receber herança, nem dar continuidade às descendências em Israel - ferindo a Assembléia do Senhor. Morreu(II Samuel 12.18, independente do quebrantamento e jejum do rei.

    No caso de Jefté, se sua descendência não fosse interrompida com o impedimento de sua filha de ter filhos ("assim ela jamais foi possuída por varão" Juízes 11.39) , haveria o risco de seus descendentes se misturarem com os filhos de Israel.A moça "chorou a sua virgindade" e não a sua morte! (juízes 11.38)
    Parece que D'us o conduziu a fazer esse voto
    (Juízes 11.29, "o Espírito do Senhor veio sobre Jefté").
    Ser bastardo era tão grave (as prostitutas costumavam ser de povos pagãos) que ele sofreu preconceito de Efraim (Juízes 12.1) mesmo tendo vencido uma guerra por Israel.
    Parece que Jefté percebeu sua condição e, ao contrário do que se fazia na época,não teve mais filhos.

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    1. Shalon Glaucia, seus estudos são maravilhosos e concisos, gostaria de recebê-los se possível por e-mail já que não é permitido copiar, me ajudaria muito no seminário que tem na igraja que pastoreio,me ajudaria na Hermenêutica e Exegese.São riquíssimos, abraços.

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    2. Há um projeto para 2013 de publicação desses estudos em livro. Um grande abraço.

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    3. Me comunique quando sair, Shalon.

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  3. Pr Paulo Cezar Soutosexta-feira, 06 janeiro, 2012

    Ok. Então tem lógica minha dedução de que pondo termo a sua descendencia através de sua filha ele poria termo a maldição de bastardo até a 10ª geração?

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  4. A condição de bastardo de Jefté foi usada por D'us como forma de exigir uma reflexão sobre misericórdia em Israel apesar da Lei constituída. As leis tribais do mundo antigo eram muito rigorosas, e exigiam o total abandono de filhos de prostitutas como Jefté, e também de viúvas sem filhos ( caso de Abigail que foi resgatada por David e Noemi e Rut por Boaz), orfãos sem herança, mães de filhos não primogênitos (caso de Ana e Samuel) etc. Assim D'us usou Jefté como chefe de Israel, pois sempre usa as coisas "loucas" e fracas do mundo para contestar as fortes e balançar as idéias.

    Ser bastardo era uma condição e não uma maldição como o povo classificava.
    Creio que D'us interrompeu a sua geração por amor para evitar qualquer sofrimento a ele e à sua descendência,e também para manter a sua palavra em Dt 23.2 e impedir que outros filhos de prostituição fossem gerados no meio do povo.

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